Meryl Streep soma o recorde de 21 indicações ao Oscar como intérprete e venceu três vezes: como coadjuvante por *Kramer vs. Kramer* e como protagonista por *Sophie’s Choice* e *The Iron Lady*. A marca não significa 21 vitórias nem se apoia em uma única fase da carreira. Ela reúne trabalhos reconhecidos pela Academia desde *The Deer Hunter*, lançado em 1978, até uma filmografia que continuou alternando drama, comédia, musical e cinebiografia.

O que compõe o recorde de 21 indicações
O Festival de Cannes registra que a primeira indicação de Streep veio com *The Deer Hunter* e que o total chegou ao recorde de 21. Uma publicação da Academia de 2017 ajuda a conferir a progressão: naquele momento, *Florence Foster Jenkins* representava sua 20ª indicação.
Esse histórico inclui disputas nas duas categorias de atuação feminina. A lista publicada pela Academia reúne, entre outros trabalhos, *The French Lieutenant’s Woman*, *Silkwood*, *Out of Africa*, *A Cry in the Dark*, *Postcards from the Edge*, *The Bridges of Madison County*, *Adaptation*, *The Devil Wears Prada*, *Doubt*, *Julie & Julia*, *August: Osage County* e *Into the Woods*.
A maneira mais precisa de ler o número, portanto, é separar recorrência e resultado: 21 indicações mostram quantas vezes uma interpretação foi selecionada para a disputa; as três vitórias identificam as ocasiões em que Streep recebeu o prêmio.

As três atuações que venceram
A primeira vitória veio na categoria de atriz coadjuvante por *Kramer vs. Kramer*, filme de 1979. Cannes observa que Streep trabalhou para ampliar a complexidade da personagem, inclusive reescrevendo um monólogo decisivo, e que o papel lhe rendeu seu primeiro Oscar.
A segunda estatueta foi por *Sophie’s Choice*, desta vez como atriz principal. A página da 55ª cerimônia da Academia confirma que ela ganhou o prêmio de Melhor Atriz por esse filme e que aquele era seu segundo Oscar. Cannes acrescenta um dado sobre a preparação: para construir a personagem, Streep estudou alemão e polonês com o objetivo de trabalhar o sotaque.
A terceira vitória chegou por *The Iron Lady*, na categoria principal, por sua interpretação de Margaret Thatcher. Assim, o placar correto é de uma vitória como coadjuvante e duas como protagonista.

Um percurso inicial para entender a marca
Para acompanhar a formação do recorde, *The Deer Hunter* é um ponto de partida lógico: foi o papel associado à primeira indicação. Em seguida, *Kramer vs. Kramer* apresenta a primeira vitória e evidencia como Streep buscava personagens femininas com maior densidade dentro de narrativas centradas em homens.
*Sophie’s Choice* ocupa o passo seguinte porque une preparação linguística, carga dramática e a segunda vitória. No encontro de Cannes de 2024, a atriz explicou que a cena crucial foi rodada duas vezes e descreveu a dificuldade emocional de interpretá-la.
Depois, *Out of Africa* e *The Bridges of Madison County* mostram sua presença em romances dramáticos de períodos distintos. Cannes informa que este último foi realizado por Clint Eastwood em cinco semanas e que o método acelerado do diretor incorporava essencialmente os ensaios às imagens usadas no filme.
Comédia, musical e personagens públicas
O recorde também se explica pela mudança de registro. *Postcards from the Edge* levou Streep à comédia nos anos 1990, enquanto *The Devil Wears Prada* a colocou como a editora Miranda Priestly. Em Cannes, a atriz contou que esse filme teve importância particular porque um homem lhe disse, pela primeira vez a respeito de um longa, que compreendia o sentimento da personagem feminina.
*Mamma Mia!* ampliou sua passagem pelo musical, embora não integre a relação de indicações de atuação apresentada pela Academia. Já *Julie & Julia*, *The Iron Lady* e *Florence Foster Jenkins* formam uma rota de personagens inspiradas em pessoas reais. Só um desses três trabalhos, *The Iron Lady*, terminou em vitória; os outros ajudam a demonstrar a continuidade das indicações em fases posteriores da carreira.
O reconhecimento fora do Oscar
O Oscar é apenas um recorte. Cannes concedeu a Streep o prêmio de Melhor Atriz por *A Cry in the Dark* em 1989. Trinta e cinco anos depois, ela voltou ao festival para receber a Palma de Ouro honorária na abertura da edição de 2024.
Esse reconhecimento ajuda a colocar os 21 registros da Academia em perspectiva. O número nasceu de uma carreira que atravessa quase cinco décadas e não de uma sequência uniforme de personagens. Drama familiar, romance, sátira, musical e cinebiografia ofereceram caminhos diferentes para uma recorrência rara nas categorias de interpretação.
Como escolher os filmes sem reduzir a carreira ao número
Uma seleção curta pode começar pelos três vencedores e acrescentar *The Deer Hunter*, para localizar a primeira indicação; *A Cry in the Dark*, pelo reconhecimento em Cannes; *The Bridges of Madison County*, pelo romance; e *The Devil Wears Prada*, pela comédia e pelo alcance cultural da personagem.
Essa rota não transforma todas as indicações em vitórias nem apresenta futuras premiações como certas. Ela permite observar o elemento realmente sustentado pelo histórico: Meryl Streep chegou a 21 indicações ao Oscar, venceu três delas e construiu a marca por meio de papéis muito diferentes entre si.
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Fontes e créditos
- www.GlynLowe.com from Hamburg, Germany — CC BY 2.0
- Dick Thomas Johnson from Tokyo, Japan — CC BY 2.0
- Dick Thomas Johnson from Tokyo, Japan — CC BY 2.0
- Academia — registro de 21 indicações e três vitórias de Meryl Streep
- Academia — 89º Oscar e a 20ª indicação de Meryl Streep
- Academia — vitória por A Escolha de Sofia no Oscar de 1983
- Festival de Cannes — encontro sobre a carreira de Meryl Streep
- Festival de Cannes — Palma de Ouro honorária e prêmio de interpretação