Cinema

Meryl Streep no Oscar: os filmes por trás das 21 indicações

Três vitórias e uma trajetória que atravessa drama, comédia, musical e cinebiografia

Meryl Streep soma o recorde de 21 indicações ao Oscar como intérprete e venceu três vezes: como coadjuvante por *Kramer vs. Kramer* e como protagonista por *Sophie’s Choice* e *The Iron Lady*. A marca não significa 21 vitórias nem se apoia em uma única fase da carreira. Ela reúne trabalhos reconhecidos pela Academia desde *The Deer Hunter*, lançado em 1978, até uma filmografia que continuou alternando drama, comédia, musical e cinebiografia.

Meryl Streep de óculos em primeiro plano durante um evento de cinema
Meryl Streep na Berlinale de 2016, em Berlim.

O que compõe o recorde de 21 indicações

O Festival de Cannes registra que a primeira indicação de Streep veio com *The Deer Hunter* e que o total chegou ao recorde de 21. Uma publicação da Academia de 2017 ajuda a conferir a progressão: naquele momento, *Florence Foster Jenkins* representava sua 20ª indicação.

Esse histórico inclui disputas nas duas categorias de atuação feminina. A lista publicada pela Academia reúne, entre outros trabalhos, *The French Lieutenant’s Woman*, *Silkwood*, *Out of Africa*, *A Cry in the Dark*, *Postcards from the Edge*, *The Bridges of Madison County*, *Adaptation*, *The Devil Wears Prada*, *Doubt*, *Julie & Julia*, *August: Osage County* e *Into the Woods*.

A maneira mais precisa de ler o número, portanto, é separar recorrência e resultado: 21 indicações mostram quantas vezes uma interpretação foi selecionada para a disputa; as três vitórias identificam as ocasiões em que Streep recebeu o prêmio.

Meryl Streep conversa e sorri com duas pessoas diante do painel do Festival Internacional de Cinema de Tóquio
Meryl Streep na cerimônia de abertura do Festival Internacional de Cinema de Tóquio de 2016.

As três atuações que venceram

A primeira vitória veio na categoria de atriz coadjuvante por *Kramer vs. Kramer*, filme de 1979. Cannes observa que Streep trabalhou para ampliar a complexidade da personagem, inclusive reescrevendo um monólogo decisivo, e que o papel lhe rendeu seu primeiro Oscar.

A segunda estatueta foi por *Sophie’s Choice*, desta vez como atriz principal. A página da 55ª cerimônia da Academia confirma que ela ganhou o prêmio de Melhor Atriz por esse filme e que aquele era seu segundo Oscar. Cannes acrescenta um dado sobre a preparação: para construir a personagem, Streep estudou alemão e polonês com o objetivo de trabalhar o sotaque.

A terceira vitória chegou por *The Iron Lady*, na categoria principal, por sua interpretação de Margaret Thatcher. Assim, o placar correto é de uma vitória como coadjuvante e duas como protagonista.

Meryl Streep sorri e ergue um braço durante um evento de cinema
Meryl Streep saúda o público na abertura do Festival Internacional de Cinema de Tóquio de 2016.

Um percurso inicial para entender a marca

Para acompanhar a formação do recorde, *The Deer Hunter* é um ponto de partida lógico: foi o papel associado à primeira indicação. Em seguida, *Kramer vs. Kramer* apresenta a primeira vitória e evidencia como Streep buscava personagens femininas com maior densidade dentro de narrativas centradas em homens.

*Sophie’s Choice* ocupa o passo seguinte porque une preparação linguística, carga dramática e a segunda vitória. No encontro de Cannes de 2024, a atriz explicou que a cena crucial foi rodada duas vezes e descreveu a dificuldade emocional de interpretá-la.

Depois, *Out of Africa* e *The Bridges of Madison County* mostram sua presença em romances dramáticos de períodos distintos. Cannes informa que este último foi realizado por Clint Eastwood em cinco semanas e que o método acelerado do diretor incorporava essencialmente os ensaios às imagens usadas no filme.

Comédia, musical e personagens públicas

O recorde também se explica pela mudança de registro. *Postcards from the Edge* levou Streep à comédia nos anos 1990, enquanto *The Devil Wears Prada* a colocou como a editora Miranda Priestly. Em Cannes, a atriz contou que esse filme teve importância particular porque um homem lhe disse, pela primeira vez a respeito de um longa, que compreendia o sentimento da personagem feminina.

*Mamma Mia!* ampliou sua passagem pelo musical, embora não integre a relação de indicações de atuação apresentada pela Academia. Já *Julie & Julia*, *The Iron Lady* e *Florence Foster Jenkins* formam uma rota de personagens inspiradas em pessoas reais. Só um desses três trabalhos, *The Iron Lady*, terminou em vitória; os outros ajudam a demonstrar a continuidade das indicações em fases posteriores da carreira.

O reconhecimento fora do Oscar

O Oscar é apenas um recorte. Cannes concedeu a Streep o prêmio de Melhor Atriz por *A Cry in the Dark* em 1989. Trinta e cinco anos depois, ela voltou ao festival para receber a Palma de Ouro honorária na abertura da edição de 2024.

Esse reconhecimento ajuda a colocar os 21 registros da Academia em perspectiva. O número nasceu de uma carreira que atravessa quase cinco décadas e não de uma sequência uniforme de personagens. Drama familiar, romance, sátira, musical e cinebiografia ofereceram caminhos diferentes para uma recorrência rara nas categorias de interpretação.

Como escolher os filmes sem reduzir a carreira ao número

Uma seleção curta pode começar pelos três vencedores e acrescentar *The Deer Hunter*, para localizar a primeira indicação; *A Cry in the Dark*, pelo reconhecimento em Cannes; *The Bridges of Madison County*, pelo romance; e *The Devil Wears Prada*, pela comédia e pelo alcance cultural da personagem.

Essa rota não transforma todas as indicações em vitórias nem apresenta futuras premiações como certas. Ela permite observar o elemento realmente sustentado pelo histórico: Meryl Streep chegou a 21 indicações ao Oscar, venceu três delas e construiu a marca por meio de papéis muito diferentes entre si.

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