Futebol feminino

Itália sub-20: clubes e empréstimos na campanha mundial

A semifinal na Polônia reúne atletas da Serie A Women, da Serie B e da geração europeia de 2025

A Itália chegou à semifinal da Copa do Mundo Feminina Sub-20 de 2026 com um elenco formado por caminhos competitivos diferentes. Há atletas vinculadas a clubes da Serie A Women, quatro jogadoras inscritas por equipes da Serie B, duas cedidas a times estrangeiros e uma base importante da seleção que alcançou a semifinal do Europeu Sub-19 de 2025. O resultado contra a Coreia do Sul ajuda a enxergar como essas trajetórias se encontraram na Polônia — sem transformar a segunda divisão em sinônimo de retrocesso.

Jogadoras e integrantes da seleção italiana feminina de futebol celebram no gramado diante de fotógrafos
A seleção italiana principal celebra após uma partida contra a Bélgica em 2018; imagem de contexto, não da equipe sub-20 de 2026.

A classificação que dá forma ao mapa

Em 19 de setembro, a Itália venceu a Coreia do Sul por 3 a 1 nas quartas de final. Karen Appiah marcou aos 16 minutos do primeiro tempo e aos três da etapa final; Paola Fadda completou o placar italiano com um chute de fora da área. Lee Haeun havia empatado perto do intervalo. Appiah chegou a quatro gols no torneio e foi escolhida pela FIFA como a melhor jogadora da partida, segundo o relato oficial da FIGC.

O placar importa, mas a escalação também conta uma história. Entre as titulares estavam jogadoras de Inter, Aarau, Fiorentina, Sassuolo, Res Donna Roma, Cesena e Roma. As substituições acrescentaram atletas de Barcelona e Lazio, entre outros clubes. A equipe de Nicola Matteucci, portanto, não nasceu de um único centro formador nem de uma só divisão.

Essa semifinal ganha contexto adicional porque a Itália não disputava o Mundial Sub-20 desde 2012. O retorno ocorreu 14 anos depois, em uma edição com 24 seleções e quatro cidades-sede na Polônia. A vaga havia sido conquistada quando a seleção italiana chegou à semifinal do Europeu Sub-19 de 2025, também realizado no país, conforme o registro da federação italiana sobre o sorteio.

Seleção italiana feminina de futebol alinhada atrás de crianças antes de uma partida
A seleção italiana principal antes de uma partida em 2025; imagem de contexto, não da equipe sub-20 que disputou o Mundial de 2026.

A geração sub-19 é a linha de continuidade

Várias integrantes do grupo de 2026 já estavam na campanha continental anterior. Giada Pellegrino Cimò, Manuela Sciabica, Emma Lombardi e Maya Cherubini são citadas pela FIGC entre as atletas que alcançaram a semifinal europeia. Lombardi e Cherubini, além disso, já tinham experiência na Serie A Women com a Fiorentina.

Essa continuidade não significa que o elenco tenha ficado congelado. Gabriella Langella, ligada ao Napoli Women, aparece como um dos nomes incorporados depois. Caterina Venturelli, Martina Bressan e Giulia Galli também carregavam experiência em outro nível de base: haviam disputado o Mundial Sub-17 no Marrocos.

O quadro revela duas vias complementares. A seleção preservou parte de uma geração que já havia enfrentado um torneio continental decisivo e acrescentou jogadoras com experiências distintas em clubes e outras categorias internacionais. É uma leitura mais precisa do que atribuir a campanha a uma única competição doméstica.

Serie A Women fornece a maior parte do elenco

A lista italiana tinha 21 jogadoras. Pela distribuição publicada antes do torneio, 15 estavam associadas a clubes da Serie A Women: Elena Belli, Martina Bressan, Lidia Consolini, Emma Lombardi, Maya Cherubini, Manuela Sciabica, Lavinia Tornaghi, Gabriella Langella, Giada Pellegrino Cimò, Caterina Venturelli, Paola Fadda, Sofia Testa, Rosanna Ventriglia, Marta Zamboni e Giulia Galli — esta última oficializada pelo Barcelona no início de setembro.

Inter, Fiorentina e Sassuolo aparecem com mais de uma representante italiana. Também há jogadoras provenientes de Milan, Lazio, Napoli Women, Roma, Ternana Women e Como Women. Essa dispersão mostra que a base da seleção atravessa diferentes estruturas da primeira divisão, em vez de depender de um único bloco de clube.

A distribuição por clubes divulgada pela FIGC também permite separar vínculo esportivo de presença efetiva em uma divisão. Essa distinção é essencial para entender os empréstimos.

Appiah mostra por que a Serie B não deve ser apagada

Quatro convocadas disputariam a Serie B Feminile: Karen Appiah e Martina Tosello, pelo Cesena; Giada Catena, pela Res Donna Roma; e Erica Di Nallo, pelo Vicenza. As quatro estavam emprestadas por clubes da elite: Appiah pelo Milan, Tosello pela Fiorentina, Catena pela Roma e Di Nallo pelo Sassuolo.

O caso de Appiah tornou essa camada especialmente visível. Atacante do Cesena na lista do Mundial, ela começou como titular contra a Coreia do Sul, marcou duas vezes e saiu das quartas de final com quatro gols acumulados. Isso não prova, isoladamente, que a Serie B tenha causado seu desempenho, nem que todo empréstimo seja necessariamente formativo. Mostra algo mais delimitado: uma atleta cedida por um clube da Serie A e inscrita por uma equipe da segunda divisão ocupou papel central em uma partida eliminatória do Mundial.

Catena também foi titular nas quartas, enquanto Tosello começou pela lateral. A Serie B, assim, não aparece apenas no cadastro: três das quatro representantes da divisão iniciaram o jogo que levou a Itália à semifinal. Para avaliar futebol de base, minutos e responsabilidades competitivas podem ser tão relevantes quanto o nome da divisão.

Os caminhos internacionais completam o elenco

Martina Cocino e Azzurra Gallo estavam emprestadas pela Juventus, respectivamente, ao Aarau e ao Toulouse. Giulia Galli, por sua vez, havia sido oficializada pelo Barcelona. Esses casos ampliam o mapa para além das duas divisões italianas e mostram que a convocação reuniu atletas em contextos nacionais e estrangeiros.

O conjunto documentado pelas fontes é diverso: continuidade da seleção sub-19, presença majoritária da Serie A Women, quatro passagens pela Serie B e vínculos com clubes de fora da Itália. Não há base para afirmar que todos esses movimentos obedeceram a um plano centralizado. É possível, porém, observar que trajetórias competitivas diferentes convergiram no mesmo elenco e tiveram participação concreta na campanha.

Para acompanhar os próximos compromissos, horários ou eventuais mudanças, vale conferir os canais oficiais da competição e da FIGC. E, para continuar a conversa sobre esporte e cultura em São Paulo, o Becoartes fica na Rua Gonçalo Afonso, 99, Vila Madalena; o endereço pode ser confirmado no site oficial.

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