*La Maison du Vent* (*House of the Wind*) é um drama de 102 minutos, falado em francês e bafang, sobre uma mãe de 80 anos que vive sozinha em Yaoundé enquanto os filhos estão no Ocidente. Em 12 de setembro de 2026, o primeiro longa de Auguste Bernard Kouemo Yanghu recebeu o Leão do Futuro e o Prêmio Especial do Júri Orizzonti no 83º Festival de Veneza. Para entender sua projeção, vale acompanhar a combinação entre uma história familiar, uma coprodução de seis países e os apoios obtidos quando o filme ainda estava inacabado.

Uma casa pensada para trazer os filhos de volta
Segundo a ficha oficial da Biennale, Josette mora sozinha em Yaoundé, nos Camarões, depois que todos os filhos partiram para o Ocidente. Ela os incentiva a construir casas no país natal como estratégia para fazê-los voltar. A ligação inesperada com Sarah, uma jovem da vizinhança, desestabiliza suas ideias sobre família, responsabilidade e futuro.
Diretor e roteirista, Kouemo Yanghu relaciona a premissa à própria história. Camaronês de origem e residente na França há 20 anos, ele afirma que Josette foi inspirada em sua mãe. Assim como a personagem, ela permaneceu na grande casa familiar de Yaoundé após os seis filhos passarem a viver fora, principalmente na Europa. A residência concentra, portanto, memória, solidão e expectativa de retorno.
O elenco principal reúne Josette Kwanya, Moudjeu Pouadeu e Adrien Jolivet. Eva Sehet assina a fotografia; Ewin Ryckaert e Geoffroy Cernaix, a montagem; Rosine Nkem, o desenho de produção; Valérie Elemva, os figurinos; e Michel Duprez e Blick Bassy, a música.

Francês e bafang no mesmo filme
A Biennale identifica francês e bafang como os idiomas do longa. O dado situa culturalmente a obra sem transformar a língua em curiosidade: a história ambientada em Yaoundé chegou a uma vitrine internacional preservando o bafang entre seus idiomas oficiais.
As fontes não informam quanto do diálogo corresponde a cada língua nem explicam as escolhas linguísticas de cenas específicas. Não é possível, portanto, atribuir a essa combinação efeitos narrativos não documentados. O que se pode afirmar é que o bilinguismo integra oficialmente um filme sobre uma família separada pela migração.
Uma coprodução entre seis países
A apresentação de 2026 associa o filme a Camarões, França, Bélgica, Benim, Arábia Saudita e Catar. A produção reúne Horizons d’Afrique, de Linda Natacha Kwanya e Kouemo Yanghu; La Mansarde Cinéma, de Arthur Grec; Steel Fish Pictures, de John Engel; Merveilles Production, de Faissol Gnonlonfin; Red Sea Fund; e Doha Film Institute.
As produtoras têm endereços informados em Yaoundé, Paris, Bruxelas e Cotonou, enquanto os fundos ligam a estrutura à Arábia Saudita e ao Catar. A ficha também aponta a Celluloid Dreams como agente de vendas mundiais. Isso revela uma rede concreta entre África, Europa e Oriente Médio, mas não significa que todos os parceiros tenham desempenhado funções iguais. Contratos, orçamento e divisão de direitos não aparecem nas fontes consultadas.
O laboratório do corte inacabado
Em julho de 2025, *House of the Wind* estava entre os oito projetos selecionados pelo Final Cut in Venice, então creditado a Camarões, Benim, França e Bélgica. O programa da Venice Production Bridge apresenta cópias de trabalho a produtores, compradores, distribuidores, empresas de pós-produção e programadores de festivais, buscando facilitar a conclusão e o acesso ao mercado de filmes africanos e de países determinados do Oriente Médio.
A edição ocorreu entre 31 de agosto e 2 de setembro de 2025. O projeto não recebeu o prêmio principal da Biennale, concedido a *The Station*, mas conquistou dois apoios de parceiros. Conforme a relação oficial do Final Cut, a M74, de Roma, ofereceu até € 10 mil em efeitos visuais digitais 2D. A Mnemonica disponibilizou sua plataforma em nuvem para armazenar, compartilhar e distribuir o filme, serviço avaliado em € 10 mil.
Esses apoios não revelam quais planos foram modificados nem permitem comparar os cortes. Eles documentam recursos técnicos obtidos durante o acabamento: efeitos visuais e gestão segura dos arquivos necessários à circulação profissional.
Por que os dois prêmios são diferentes
Um ano depois, o longa competiu na Orizzonti, seção com júri próprio. A lista oficial dos vencedores atribui a *La Maison du Vent* o Prêmio Especial do Júri Orizzonti. O prêmio de melhor filme da seção foi para *Un détour par Diane*; as duas distinções não devem ser confundidas.
O outro reconhecimento veio de um júri separado: o Leão do Futuro — Prêmio de Veneza “Luigi De Laurentiis” para um filme de estreia. A combinação distingue a obra tanto dentro da competição Orizzonti quanto entre os primeiros filmes elegíveis no festival. É esse resultado simultâneo, mais do que uma ideia vaga de “filme vencedor”, que explica sua posição particular no palmarès de 2026.
Como acompanhar a circulação
Os prêmios confirmam a recepção institucional em Veneza, mas as fontes não anunciam estreia comercial nem disponibilidade em streaming. Para acompanhar mudanças, convém procurar pelos títulos *La Maison du Vent* e *House of the Wind* e pelo nome completo de Auguste Bernard Kouemo Yanghu em catálogos e canais oficiais.
A trajetória verificável já é expressiva: uma narrativa pessoal situada em Yaoundé, falada também em bafang, passou de uma cópia de trabalho apoiada em 2025 a dois reconhecimentos de júris diferentes em 2026.
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Cinema e cultura no Becoartes
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