Futebol feminino

FIFA: mulheres passam a ser obrigatórias nas comissões técnicas

Regra estreia no Mundial Feminino Sub-20 de 2026 e alcançará torneios de seleções e clubes, incluindo a Copa de 2027

Desde o Mundial Feminino Sub-20 de 2026, cada equipe nas competições femininas da FIFA precisa ter ao menos uma mulher como técnica principal ou assistente, uma mulher na equipe médica e duas mulheres entre os oficiais sentados no banco. A exigência vale para torneios femininos de base e adultos, de seleções e clubes organizados pela entidade. Ela não deve ser confundida com as regras de licenciamento profissional anunciadas pela UEFA para suas competições de clubes.

Jogadoras da seleção feminina sub-20 da Polônia autografam bolas diante de jovens torcedoras.
Jogadoras da Polônia sub-20 encontram torcedores antes do Mundial Feminino Sub-20 de 2026.

Quem precisa estar na comissão

A regra aprovada pelo Conselho da FIFA em 19 de março de 2026 estabelece três requisitos complementares. A técnica principal ou pelo menos uma das assistentes deve ser mulher; pelo menos uma integrante da equipe médica deve ser mulher; e, entre os oficiais acomodados no banco da equipe, pelo menos dois devem ser mulheres.

Na prática, não basta incluir uma profissional em qualquer função para cumprir toda a norma. A vaga técnica, a presença médica e a composição mínima do banco são critérios separados. Uma equipe comandada por um homem, por exemplo, pode atender ao primeiro requisito com uma assistente, mas ainda precisa observar os outros dois.

Segundo a decisão publicada pelo Conselho da FIFA, a obrigação abrange todas as competições femininas da entidade: categorias de base e adulta, seleções nacionais e clubes.

Jogadoras de Colômbia e Coreia do Sul se posicionam na área durante uma partida de futebol feminino.
Colômbia e Coreia do Sul disputam o Mundial Feminino Sub-17 da FIFA de 2025, no Marrocos.

Por que a estreia ocorreu na Polônia

O Mundial Feminino Sub-20 da Polônia, disputado em setembro de 2026, foi o primeiro torneio a aplicar a norma. A competição reúne 24 seleções, com 36 partidas na fase de grupos e 52 no total, distribuídas por quatro cidades-sede. A FIFA também informou que o torneio utiliza VAR.

A estreia oferece um caso concreto para entender a medida: ela disciplina quem cada delegação pode credenciar em funções técnicas, médicas e de banco, não quem apita as partidas. A arbitragem tem um processo próprio. Para o Sub-20, foram designados 68 oficiais: 18 árbitras, 36 assistentes — todas mulheres — e 14 oficiais de vídeo, dez mulheres e quatro homens, conforme o anúncio da FIFA sobre arbitragem.

Jogadoras de Samoa e Nigéria caminham pelo campo durante uma partida de futebol feminino.
Samoa e Nigéria jogam pelo Mundial Feminino Sub-17 da FIFA de 2025, no Marrocos.

Quais competições vêm depois

Após o Sub-20, a FIFA indicou a aplicação no Mundial Feminino Sub-17 e na Champions Cup Feminina, ambos em 2026. A exigência também chegará à Copa do Mundo Feminina de 2027, no Brasil. Portanto, não se trata de uma experiência limitada a uma categoria juvenil: o desenho anunciado alcança o principal torneio de seleções femininas da entidade.

A explicação publicada durante o Mundial Sub-20 relaciona a regra a programas de mentoria, bolsas de formação e preparação de educadoras de treinadoras. Entre as participantes do programa de mentoria estão Patricia Aguilar, técnica da seleção sub-20 da Costa Rica, e Camilla Orlando, técnica do Brasil sub-20.

Como regulamentos e calendários podem ser atualizados, equipes e profissionais devem conferir a documentação oficial de cada competição antes de inscrições e credenciamentos.

A regra não reserva o comando principal

A norma aumenta a presença feminina sem determinar que toda seleção ou clube tenha uma mulher como técnica principal. O requisito pode ser satisfeito por uma técnica ou por ao menos uma assistente. Essa distinção evita duas leituras equivocadas: a de que homens foram proibidos de comandar equipes femininas e a de que qualquer mulher no banco, independentemente da função, resolve todas as exigências.

O contexto ajuda a dimensionar a decisão. Na Copa do Mundo Feminina de 2023, 12 das 32 seleções tinham mulheres como técnicas principais. Desde 2021, o programa de bolsas de formação da FIFA apoiou 795 treinadoras de 73 associações. A terceira edição do programa de mentoria de alto rendimento, iniciada em 2025, conecta 20 profissionais experientes a treinadoras em desenvolvimento.

FIFA e UEFA tratam de exigências diferentes

A regra global da FIFA define representação feminina nas equipes participantes de suas competições. Já o novo marco da UEFA se concentra sobretudo nas qualificações mínimas de treinadores de clubes e na ampliação do acesso à formação profissional na Europa.

A partir da temporada 2029/30, técnicos principais de clubes na Champions League Feminina e na Europa Cup Feminina da UEFA precisarão de licença Pro quando a entidade licenciadora integrar a Convenção de Treinadores no nível Pro; nos demais casos, será aceita a licença A. Para assistentes, os níveis correspondentes serão A e B.

A UEFA também permite ampliar turmas da licença Pro de 20 para 24 participantes, reservando as quatro vagas adicionais a treinadoras e profissionais do futebol feminino. Cursos extras deverão reservar ao menos metade das vagas a esse grupo, com prioridade para mulheres. Essas medidas constam no novo marco de formação da UEFA.

Como acompanhar a implementação

Para avaliar uma equipe, vale separar três perguntas: há uma técnica principal ou assistente mulher; há uma profissional médica; e pelo menos duas oficiais mulheres estão no banco? Para comparar FIFA e UEFA, a pergunta muda: a primeira regula representação nas competições femininas; a segunda também fixa níveis de licença em determinados torneios europeus de clubes.

A implementação poderá ser observada nos torneios de 2026 e, em escala maior, na Copa de 2027. Confirme sempre eventuais alterações nos links oficiais da FIFA e da UEFA.

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