Cinema e games

Resident Evil no cinema: como o novo filme se relaciona com os jogos e as adaptações anteriores

Um guia sem spoilers para distinguir a história de Zach Cregger, a série de Alice, o reinício de 2021 e a continuidade dos games.

Quem pretende assistir ao novo *Resident Evil* não precisa rever os longas anteriores nem conhecer toda a cronologia dos jogos. O filme dirigido por Zach Cregger acompanha Bryan, um personagem criado para esta história, em uma trama independente. Ele utiliza Raccoon City, surtos infecciosos e a atmosfera de sobrevivência associada à franquia, mas não reconta literalmente um dos games.

A resposta curta, portanto, é: o novo longa funciona como outra interpretação cinematográfica de *Resident Evil*. Não é continuação da série estrelada por Milla Jovovich, nem do reinício *Welcome to Raccoon City*. Conhecer os jogos pode ajudar a reconhecer referências, mas não é apresentado como requisito para compreender a premissa.

Estrada coberta por neblina ao lado de uma placa danificada de Raccoon City com o símbolo da Umbrella
Imagem de um trailer do jogo Resident Evil Requiem; ela ilustra o universo dos games e não é uma cena do novo filme.

O que é o novo Resident Evil

Segundo a BBC Newsbeat, Bryan, interpretado por Austin Abrams, é um entregador encarregado de levar um pacote a um hospital em Raccoon City. Durante o percurso, ele acaba no meio de um surto viral no qual pessoas infectadas se transformam em criaturas. Essa é a base suficiente para chegar ao filme sem antecipar suas surpresas.

Cregger, também responsável por *Barbarian* e *Weapons*, explicou à BBC que não queria simplesmente reproduzir a história de um jogo. Sua intenção era traduzir para o cinema a experiência de jogar: vulnerabilidade, recursos limitados, perigo e incerteza. É uma distinção importante. Elementos conhecidos podem aparecer sem que acontecimentos, protagonistas ou continuidade sejam os mesmos.

O diretor também afirmou não ter tido contato direto com a Capcom durante a realização. A reportagem registra, porém, que houve coordenação entre a desenvolvedora e os produtores nos bastidores. Assim, não é seguro tratar o longa como parte oficial da cronologia dos games.

Zach Cregger, de camisa xadrez, sentado com Asif Ali, Jessica Lowe e Will Greenberg durante uma entrevista
Zach Cregger, segundo à esquerda, com o elenco de Wrecked durante uma entrevista realizada em 2017.

Três linhas de filmes que não devem ser misturadas

A maneira mais simples de organizar as adaptações live-action é separá-las em três blocos.

A primeira linha começou em 2002 e chegou a seis filmes supervisionados pelo roteirista e diretor Paul W. S. Anderson, todos protagonizados por Milla Jovovich. Alice, a heroína dessa série, enfrenta a Umbrella Corporation, o T-vírus e criaturas retiradas ou inspiradas nos jogos. A página da Sony Pictures dedicada ao primeiro filme apresenta Alice, Rain, Matt, a instalação subterrânea Hive e a inteligência artificial Red Queen, além de encaminhar para títulos posteriores da sequência.

A segunda linha é *Resident Evil: Welcome to Raccoon City*, de 2021. A própria Sony Pictures o descreve como um retorno às origens da franquia: Raccoon City tornou-se uma cidade decadente após a saída da Umbrella, e um grupo de sobreviventes tenta descobrir a verdade sobre a empresa. O filme reinicia a adaptação e não continua a trajetória de Alice.

A terceira linha é o longa de Cregger. Bryan é um protagonista original, e sua jornada constitui uma nova entrada, não o capítulo seguinte de qualquer uma das duas séries anteriores.

Personagem aponta uma arma para criaturas em uma rua urbana escura e chuvosa no jogo Resident Evil Requiem
Cena de gameplay de Resident Evil Requiem, pertencente à continuidade dos jogos e não ao novo longa-metragem.

Onde os jogos entram nessa história

Os games formam sua própria continuidade. O primeiro *Resident Evil* foi lançado pela Capcom em 1996 para o PlayStation original, conforme resume a BBC. Em vez de oferecer um herói quase invencível, o jogo colocou o público diante de recursos limitados e decisões de sobrevivência. A série depois passou por continuações, remakes e reinvenções.

Raccoon City, Umbrella e surtos biológicos atravessam diferentes versões, mas compartilhar esses componentes não torna duas obras capítulos da mesma narrativa. Eles funcionam como um vocabulário recorrente: cada adaptação escolhe personagens, eventos e relações próprios.

Para novidades diretamente ligadas aos games, o ponto de consulta mais seguro é o portal oficial de Resident Evil da Capcom. Informações sobre lançamentos e disponibilidade podem mudar; vale confirmá-las no canal oficial antes de tomar qualquer decisão.

E Resident Evil Requiem?

*Resident Evil Requiem* pertence à linha dos jogos, não à continuidade do filme de Cregger. Imagens de Raccoon City e sequências de combate do game ajudam a visualizar a linguagem da franquia, mas não devem ser confundidas com cenas do novo longa.

Essa separação também evita uma conclusão precipitada: a presença de uma placa, criatura ou local semelhante não comprova ligação narrativa. Para comparar apenas a apresentação oficial do jogo, consulte a página de Resident Evil Requiem no PlayStation, lembrando que detalhes comerciais e de lançamento estão sujeitos a alteração.

Uma cronologia rápida, sem spoilers

Em ordem de chegada, o mapa essencial é: o game original de 1996; a série cinematográfica iniciada em 2002 e encerrada após seis filmes com Alice; o reinício *Welcome to Raccoon City*, de 2021; a série live-action da Netflix, de 2022, mencionada pela BBC como outra adaptação; e o novo filme dirigido por Cregger, construído em torno de Bryan.

As animações relacionadas à marca aparecem no catálogo da Sony, mas não são necessárias para distinguir os três blocos live-action abordados aqui. O critério mais útil é observar o protagonista: Alice aponta para a primeira série; o grupo ligado à Raccoon City de 2021 pertence ao reinício de Johannes Roberts; Bryan identifica o novo filme.

O que assistir antes

Para simplesmente acompanhar o novo longa, nada é obrigatório. Quem quiser entender como o cinema remodelou a franquia pode escolher um representante de cada fase: o primeiro filme com Alice e *Welcome to Raccoon City*. Já quem busca a origem da tensão baseada em exploração e escassez deve procurar os jogos, mantendo em mente que suas histórias não são automaticamente transferidas para a tela.

Essa leitura permite apreciar aproximações e diferenças sem transformar fidelidade em prova de qualidade. O novo *Resident Evil* propõe uma história autônoma dentro de um repertório reconhecível — e essa é a chave mais útil para entrar na sessão sem spoilers.

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