Saúde auditiva

Shows de K-pop: proteção auditiva antes, durante e depois

Um plano prático para reduzir a exposição sonora, usar protetores e reconhecer sinais de alerta sem abrir mão da experiência.

Ir a um show de K-pop sem descuidar da audição exige combinar três medidas: usar corretamente um protetor auricular adequado, reduzir o tempo e a proximidade da exposição sonora e observar como os ouvidos respondem depois. Nenhuma delas oferece proteção absoluta, mas a combinação reduz o risco sem exigir que o fã abandone a música, as coreografias, os light sticks ou a participação coletiva.

Grupo de artistas em palco triangular iluminado por luzes vermelhas
Apresentação do grupo Block B no concerto da KCON Jeju de 2015.

Por que o cuidado começa antes do show

O risco não depende apenas de o som parecer “muito alto”. Intensidade, duração e repetição da exposição atuam juntas. O NIDCD explica que sons podem ser prejudiciais quando são intensos mesmo por pouco tempo ou quando permanecem altos por períodos prolongados. Concertos estão entre as atividades recreativas que podem oferecer risco de perda auditiva induzida por ruído.

A questão alcança especialmente o público jovem: a iniciativa Making Listening Safe, da Organização Mundial da Saúde, estima que mais de 1 bilhão de pessoas de 12 a 35 anos estejam sob risco de perda auditiva por exposição recreativa a sons intensos. Isso não mede um show, artista ou arena específicos; é um alerta global sobre hábitos de escuta.

Antes de sair, coloque um par de protetores auriculares na bolsa e, se possível, outro de reserva. Teste previamente o encaixe seguindo as instruções do fabricante. Um modelo confortável e bem ajustado tende a ser mais viável durante uma apresentação inteira do que um item levado pela primeira vez e retirado a todo momento.

Artista loiro de óculos escuros exibido na grande tela de um palco
Kangnam exibido na tela do palco durante a KCON Jeju de 2015.

Como escolher e usar o protetor

Há protetores de espuma, reutilizáveis e modelos voltados à música. A melhor escolha prática é aquela que se ajusta aos seus ouvidos, pode ser usada de forma consistente e traz instruções claras. Não presuma que um formato, material ou preço garanta proteção total.

O NIDCD recomenda protetores auriculares ou outros dispositivos de proteção em atividades ruidosas. O CDC/NIOSH acrescenta que a proteção pode ser eficaz quando escolhida corretamente e usada de modo contínuo. A orientação do fabricante importa: inserção superficial, vedação incompleta ou uso intermitente reduzem o valor prático do equipamento.

Coloque o protetor antes de entrar na área mais ruidosa. Se precisar ajustá-lo, faça isso em um local mais calmo e com as mãos limpas. Não retire uma das peças para “equilibrar” o som. Crianças e pessoas com condições auditivas, dor, cirurgia recente ou dificuldade de adaptação precisam de orientação profissional individualizada.

Artista de óculos escuros caminhando diante de um telão geométrico
Kangnam no palco do concerto KCON Jeju de 2015.

Durante o concerto: distância, tempo e pausas

O protetor é uma camada, não uma licença para permanecer indefinidamente perto das caixas. O NIDCD resume uma estratégia útil: evitar sons intensos demais, próximos demais ou prolongados demais. No local, afaste-se das fontes de amplificação quando puder e faça pausas em uma área mais silenciosa. Se o som continuar desconfortável mesmo com proteção, mude de posição ou deixe a área ruidosa.

Não é possível atribuir um nível de decibéis ao evento apenas pela programação, pelo tamanho da arena ou por vídeos. Uma medição depende do ponto, do momento e do instrumento utilizado. O limite de 85 dBA em oito horas citado pelo CDC/NIOSH é uma recomendação ocupacional, não uma certificação de segurança para qualquer concerto. A própria fonte mostra que, à medida que o nível aumenta, o tempo recomendado de exposição diminui.

Um sinal simples de ambiente intenso é precisar elevar muito a voz para falar com alguém próximo. Isso não substitui uma medição nem um exame, mas serve como motivo para reforçar proteção, distância e pausas.

Público diante de um palco de concerto iluminado em azul
Plateia e palco durante a apresentação de Roy Kim na KCON Jeju de 2015.

A segurança também depende da produção

O cuidado não deve recair somente sobre o público. O padrão global da OMS para locais e eventos propõe seis recursos para favorecer a escuta segura, preservando também a integridade da experiência artística. A organização atribui responsabilidades a governos, autoridades de saúde, produtores, agentes da cadeia musical, setor privado e sociedade civil.

Antes do evento, consulte os canais oficiais do local e da produção para saber se há política de proteção auditiva, áreas de descanso sonoro ou informações sobre gestão do som. Essas condições variam e podem mudar; confirme-as no link oficial do organizador. A ausência de informação publicada não permite concluir que determinada medida existe ou não.

Depois do show: sinais que merecem atenção

Zumbido, audição abafada, sons parecendo opacos ou dificuldade para compreender fala são sinais que não devem ser banalizados. O NIDCD informa que a perda induzida por ruído pode surgir imediatamente ou tornar-se perceptível com o tempo, ser temporária ou permanente e afetar um ou ambos os ouvidos. Uma melhora aparente após 16 a 48 horas também não prova ausência de dano residual.

Depois do concerto, evite som alto adicional e dê aos ouvidos um período mais tranquilo. Não aumente o volume dos fones para compensar a sensação de abafamento. Se notar perda auditiva, zumbido persistente ou qualquer alteração preocupante, procure avaliação de um profissional de saúde. A OMS destaca que identificar cedo perdas e doenças do ouvido é importante para o manejo adequado.

Sintomas súbitos ou intensos exigem orientação médica, não tentativas caseiras de diagnóstico. Aplicativos e relógios podem ajudar na percepção do ambiente, mas não substituem medição profissional, exame auditivo ou recomendação clínica.

Um plano curto para levar ao próximo show

Prepare os protetores e teste o encaixe antes; use-os de maneira contínua na área ruidosa; mantenha distância possível das caixas; intercale períodos de exposição com pausas; e leve a sério qualquer mudança auditiva depois. Esse plano não elimina todo risco, mas transforma recomendações de saúde pública em decisões concretas para curtir o concerto com mais cuidado.

Para prolongar a experiência cultural em São Paulo, o Becoartes fica na Rua Gonçalo Afonso, 99, Vila Madalena. Antes da visita, confira as informações atuais no site oficial do Becoartes.

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